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    Rondônia, quinta, 30 de abril de 2026.

Nacional

Ranking do saneamento: Uberlândia está em 3° lugar entre as melhores cidades

As cem maiores cidades do país perdem, em média, 36% de água tratada, enquanto o índice nacional é de 40%. Os dez municípios com os piores índices, no entanto, chegam a ver desperdiçados de 52% a 77% da água produzida, segundo ranking anual de saneamento do Instituto Trata Brasil, publicado nesta segunda-feira (20).

A lista considera os cem municípios mais populosos no Brasil. Os 20 no topo da lista têm, em média, 99% da população com acesso a água potável, 98% com serviço de coleta e 80% com tratamento de esgoto. Enquanto o abastecimento cobre 79% da média da população dos 20 municípios no fim da lista, a coleta de esgoto chega a apenas 29%, e o tratamento, a 18%.

A cidade de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, foi a primeira a obter, desde o início do ranking, em 2009, nota máxima nos serviços de distribuição de água e coleta e tratamento de esgoto.

O estudo aponta que as 20 cidades mais bem posicionadas têm 235% a mais de cobertura de coleta e 340% a mais no tratamento de esgoto do que os últimos 20 municípios. Enquanto o primeiro grupo investe anualmente, em média, R$ 166,52 por habitante, o segundo gasta R$ 55,46.

Os dados consideram informações de 2021 do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), do governo federal. Em relação à edição passada, os indicadores de água e esgoto pioraram, mas isso se deve a mudanças de cidade. Marabá, que entrou na lista neste ano, por exemplo, coleta 0,73% de esgoto.

Confira as 20 melhores cidades no Ranking do saneamento:

  1. São José do Rio Preto (SP)
  2. Santos (SP)
  3. Uberlândia (MG)
  4. Niterói (RJ)
  5. Limeira (SP)
  6. Piracicaba (SP)
  7. São Paulo (SP)
  8. São José dos Pinhais (PR)
  9. Franca (SP)
  10. Cascavel (PR)
  11. Ponta Grossa (PR)
  12. Sorocaba (SP)
  13. Suzano (SP)
  14. Maringá (PR)
  15. Curitiba (PR)
  16. Palmas (TO)
  17. Campina Grande (PB)
  18. Vitória da Conquista (BA)
  19. Londrina (PR)
  20. Brasília (DF)

 

Levantamento é um alerta para o serviço de saneamento

O ranking é um alerta, segundo o instituto, para as cidades que precisam ampliar os serviços de saneamento ou mantê-los, no caso bem-sucedido de São José do Rio Preto. Isso porque os dados dessa edição são os primeiros reunidos após marco legal do saneamento, aprovado em 2020.

“O grande desafio é os prefeitos entenderem seu papel e sua competência no tema. Eles são os responsáveis por atingir as metas do marco legal. Para isso, precisam entender o modelo de gestão que vão escolher, de acordo com a realidade do seu município”, diz Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil.

Os modelos podem ser as concessões, incentivadas pelo marco legal, ou os contratos com companhias estaduais. O modelo de gestão escolhido passa pela elaboração de projetos de saneamento, que podem exigir capacidades técnicas e financeiras inviáveis para a maioria das cidades no país.

“Por isso, o BNDES tem sido o grande ator na estruturação de projetos de saneamento, o que gera uma melhoria na área técnica do banco a cada edição”, diz Pretto.

Ter metas e condições claras para o saneamento e manter um fluxo de investimento ao longo do tempo são caminhos que a presidente do instituto indica, com destaque para São José do Rio Preto.

A cidade tem um investimento anual per capita de R$ 124,66, e atingiu o nível de universalização do saneamento quando o abastecimento chega a 99% da população e a coleta e o tratamento de esgoto, a 90%.
“Se a cidade continuar nesse nível de investimento, consegue continuar a oferecer bons serviços, já que não precisará fazer obras para criar estruturas. Apenas manter e fiscalizar os sistemas existentes”, afirma Luana.

De acordo com o Plano Nacional de Saneamento Básico, o investimento que deve ser feito para universalizar o saneamento é de R$ 203, 51, quase quatro vezes os R$ 55,46 dos últimos colocados do ranking.

O investimento em saneamento, mais do que um gasto, significa prevenção de doenças e redução de perdas de aulas e dias de trabalho. “Em 2019, antes da pandemia, o Brasil registrou 273 mil internações por conta de doenças hídricas”, diz Pretto.

Em estudo de 2020, a organização estimou uma redução de R$ 1,2 bilhão por ano de custos na saúde com a universalização do saneamento no país. Por outro lado, a estimativa no aumento da produtividade com o cenário ideal foi de R$ 21,8 bilhões.

Para isso, é preciso avançar na coleta e no tratamento de efluentes. Os 20 piores municípios, no entanto, têm uma média de 18,2% de tratamento de esgoto.

A manutenção dos sistemas também é fundamental para prevenir perdas de água, e as cem cidades do ranking perdem, em média, 36% da água produzida. Com as mudanças na frequência e na intensidade das chuvas, Luana defende a medida com prioridade.

“O regime de chuvas não pode mais ser previsto com a recorrência do passado, então precisamos atacar urgentemente essas perdas”, afirma.

(Lucas Lacerda/Folhapress)

Fonte: O tempo

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