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    Rondônia, sexta, 31 de julho de 2026.

Agronegócios

Café dispara em julho com clima, estoques baixos e tensão financeira impulsionando preços internacionais

O mercado internacional de café encerrou julho com forte valorização, especialmente para o arábica, diante de uma combinação de fatores financeiros, climáticos e de oferta. A redução dos estoques certificados em Nova York, a volatilidade nos mercados globais e as preocupações com o clima nos principais países produtores elevaram o prêmio de risco e sustentaram a alta das cotações.

No Brasil, os preços acompanharam o movimento positivo das bolsas internacionais, embora em ritmo mais moderado. A oferta restrita, o atraso da colheita e a postura mais cautelosa dos produtores limitaram a disponibilidade de café no mercado físico, mantendo as referências firmes durante o mês.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach, o mercado de café passou por uma mudança importante na curva de preços em julho, com os contratos futuros incorporando maiores riscos relacionados ao abastecimento global.

Café sobe em Nova York com mercado financeiro mais aquecido

A Bolsa de Nova York, principal referência mundial para o café arábica, apresentou forte recuperação ao longo de julho. O movimento foi influenciado pela troca de contratos, pela aproximação do vencimento das opções da posição setembro/26 e por um ambiente financeiro marcado por oscilações no dólar e no petróleo.

Embora o contrato setembro/26 já não seja a principal referência para a formação dos preços físicos, função assumida pelo vencimento dezembro/26, ele continua exercendo influência significativa sobre o fluxo financeiro e sobre a direção dos preços no curto prazo.

De acordo com Barabach, os baixos estoques certificados em Nova York continuam deixando o mercado altamente sensível a qualquer sinal de risco na oferta.

“Enquanto os estoques certificados permanecerem reduzidos e sem sinais consistentes de recuperação, esse ambiente de maior nervosismo deverá continuar trazendo volatilidade de alta aos futuros de café”, avalia o analista.

Estoques reduzidos aumentam preocupação com abastecimento

Um dos principais fatores de sustentação das cotações internacionais continua sendo o baixo volume de café disponível nos estoques certificados das bolsas.

Esse cenário aumenta a reação dos operadores diante de qualquer problema relacionado à produção ou logística nos principais países exportadores, favorecendo movimentos rápidos de valorização.

Além do componente financeiro, o mercado passou a precificar um maior risco climático, especialmente diante das previsões relacionadas ao fenômeno El Niño.

Clima preocupa produtores brasileiros e mercado global

As condições climáticas foram um dos principais elementos de suporte aos preços do café em julho.

No Brasil, chuvas fora do período tradicional atrasaram a colheita da safra 2026 e prejudicaram etapas como secagem e beneficiamento dos grãos, afetando principalmente a qualidade dos cafés arábica.

O mercado também acompanha com atenção os impactos potenciais do El Niño sobre as próximas safras brasileiras e sobre importantes produtores internacionais, como Colômbia, Vietnã e Indonésia.

Enquanto o Brasil e a Colômbia têm maior participação no mercado de arábica, Vietnã e Indonésia possuem papel relevante na produção mundial de robusta, aumentando a preocupação global com possíveis alterações climáticas.

Segundo Barabach, o chamado “mercado de clima” tende a ampliar a volatilidade dos preços, com possibilidade tanto de movimentos fortes de alta quanto de correções rápidas caso a oferta física aumente.

Contrato de café arábica sobe 9% em julho na Bolsa de Nova York

No acumulado de julho até o fechamento do dia 30, o contrato setembro/26 de café arábica na Bolsa de Nova York registrou valorização de aproximadamente 9%.

O contrato encerrou junho cotado a 296,45 centavos de dólar por libra-peso e fechou julho em 323,05 centavos de dólar por libra-peso.

Em Londres, o café robusta também apresentou desempenho positivo. O contrato setembro acumulou alta de aproximadamente 3,3% no mesmo período.

Mercado brasileiro acompanha alta internacional

No Brasil, os preços internos seguiram a valorização observada em Nova York e Londres, mas com menor intensidade.

Segundo Safras & Mercado, o mercado físico brasileiro utiliza principalmente o contrato dezembro/26 como referência para negociações de arábica, enquanto os diferenciais de exportação no FOB Santos perderam força nas últimas semanas.

O café arábica Brasil Good Cup Mtgb foi indicado com diferencial próximo de -32 centavos de dólar por libra-peso para embarques rápidos contra setembro/26, enquanto para embarques entre setembro e dezembro a referência ficou próxima de -25 centavos contra dezembro/26.

Outro fator de influência foi o câmbio. Apesar da recente recuperação, o dólar ainda permanece abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano passado, limitando parte da valorização interna.

Café arábica sobe mais de 11% no Sul de Minas

No mercado físico brasileiro, o café arábica bebida boa, safra nova, no Sul de Minas Gerais, apresentou forte valorização em julho.

A saca avançou de R$ 1.600,00 para R$ 1.780,00, considerando a base de compra, acumulando alta de 11,2% no mês.

A oferta reduzida foi um dos principais fatores de sustentação dos preços. Produtores seguem comercializando com cautela, avaliando o cenário internacional e aguardando melhores oportunidades diante dos riscos climáticos.

“O atraso da colheita, a demora na secagem e no beneficiamento e a postura mais cautelosa dos produtores limitaram a oferta disponível”, destaca Barabach.

Conilon registra avanço moderado no Espírito Santo

No mercado de café conilon, o avanço foi mais limitado, mas também positivo.

O tipo 7, referência de compra em Vitória (ES), passou de R$ 1.060,00 para R$ 1.080,00 por saca, acumulando alta de 1,9% até 30 de julho.

Segundo o analista, os produtores estão mais retraídos após a comercialização dos cafés remanescentes da safra 2025, avaliando o resultado final da temporada e observando os possíveis impactos do El Niño sobre a próxima produção.

Perspectivas para o mercado de café

O cenário para o café segue marcado por elevada volatilidade. De um lado, estoques reduzidos, riscos climáticos e incertezas sobre a produção mundial sustentam as cotações. De outro, o avanço da colheita brasileira e uma eventual melhora na disponibilidade física podem limitar novas altas.

Para as próximas semanas, o comportamento do clima, a evolução da safra brasileira e os movimentos financeiros nas bolsas internacionais devem continuar sendo os principais fatores de influência sobre os preços do café.

 

 

Fonte: Portal do Agronegócio

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