Connect with us

Hi, what are you looking for?

    Rondônia, quinta, 30 de abril de 2026.

Nacional

Especialista cita preconceito ao contestar fala de Lula sobre jogos eletrônicos

“Não tem jogo, não tem game falando de amor. É game ensinando a molecada a matar”. A afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante uma reunião nessa terça-feira (18) provocou uma onda de debates sobre a relação entre o consumo de jogos eletrônicos com os ataques violentos. O mandatário sugeriu que os videogames teriam influência negativa no comportamento de jovens e adolescentes ao estimular atos de violência. 

A fala repercutiu nacionalmente, fazendo com que personalidades, como o youtuber Felipe Neto, rebatessem a opinião do presidente. “Lula está errado. Essa análise é rasa, ultrapassada e não reflete a realidade. Mais um erro grotesco na comunicação do presidente”, escreveu o influencer no Twitter. 

Lula está errado. Essa análise é rasa, ultrapassada e não reflete a realidade.

Mais um erro grotesco na comunicação do Presidente.https://t.co/2Oz7APuvVh

— Felipe Neto 🦉 (@felipeneto)
April 18, 2023

Quem compartilha do mesmo posicionamento de Felipe, é o psicólogo Amarilio Campos. O profissional trabalha há 20 anos com atendimento a adolescentes, e também é especialista em jogos digitais. Para ele, o fato de se discordar da visão de Lula “não se trata de bater de frente com o governo, mas de se contrapor a uma ideia, que é completamente sem fundamento.”

“Quando falamos de jogos eletrônicos, e atribuímos a eles a responsabilidade por massacres ou outras atividades violentas, esquecemos que os videogames são relativamente recentes, e que a influência deles ainda representa muito pouco. Precisamos entender que, quando a gente coloca os jogos como responsáveis, a gente tira das costas do governo a responsabilidade de resolver questões básicas, como de educação e segurança,” enfatiza Amarílio. 

Segundo o especialista, há outros fatores que devem ser levados em consideração ao avaliar o cenário de violência. “Estamos o tempo inteiro sendo bombardeados por informações vindas de todos lugares, sobretudo das redes sociais. O Tik Tok e o Twitter, por exemplo, são consideradas por pesquisadores como plataformas tóxicas e perigosas.” 

Campos destaca ainda a importância de se fundamentar em evidências científicas antes de tomar uma decisão de política pública. “Não é possível que vivamos em um país em que a gente precisa se basear em preconceito para criar política pública. Política pública não se cria com preconceito, mas sim com evidências científicas. Até porque preconceito a gente já tem demais,” finaliza.

Livros que contestam a ideia do presidente

Confira abaixo uma lista com obras literárias, elaborada pelo psicólogo Amarilio Campos, que se opõem à ideia de que os videogames estimulam a violência:

  • “Reality is Broken: Why Games Make Us Better and How They Can Change the World”, de Jane McGonigal. Neste livro, a autora argumenta que os jogos podem ser usados para melhorar a sociedade e a vida das pessoas, ao invés de causar violência.
  • “Don’t Shoot: One Man, a Street Fellowship, and the End of Violence in Inner-City America”, de David M. Kennedy. Esta obra explora a ideia de que a violência é um problema complexo e que não pode ser resolvido simplesmente reprimindo os jogos violentos ou outras formas de entretenimento.
  • “The Art of Failure: An Essay on the Pain of Playing Video Games”, de Jesper Juul. Neste livro, o autor argumenta que a frustração e o fracasso são parte integrante da experiência dos jogos e que eles podem ser usados para ensinar habilidades importantes, como persistência e resiliência.
  • “The Video Game Debate: Unravelling the Physical, Social, and Psychological Effects of Video Games”, editado por Rachel Kowert e Thorsten Quandt. Esta obra apresenta uma ampla gama de pontos de vista sobre os efeitos dos jogos na sociedade, incluindo a questão da violência.

Onda de ataques 

Um levantamento do Instituto Sou da Paz mostrou que, nos últimos 20 anos, foram 12 ataques a escolas com uso de armas de fogo, que deixaram 34 mortos e 59 feridos. No caso mais grave recente, em que um homem invadiu uma creche em Blumenau (SC) e matou quatro crianças com golpe de machadinhas, há a teoria de que o autor seria adepto a jogos eletrônicos. Em razão disso, o deputado federal Zé Trovão (PL-SC) solicitou ao Ministério da Justiça que encerrasse a venda e partida de games violentos.

Fonte: O tempo

Mais notícias