Ao menos mais seis indígenas da etnia Yanomami morreram apenas na sexta-feira (27) e neste sábado (28), conforme registros de um hospital e uma associação que defende esse povo, que ganhou as atenções nacional e internacional após o governo federal decretar emergência de saúde pública por desistência, que enfrenta nos últimos anos o avanço do garimpo ilegal e o abandono das autoridades.
Há uma semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em uma localidade da Terra Indígena Yanomami – maior território indígena do país – acompanhado de ministros. Ele classificou a situação como “desumana” e culpou a gestão de Jair Bolsonaro. A visita foi realizada dois dias após imagens de indígenas esqueléticos serem tornadas públicas. Lula esteve com alguns deles.
Entre as mortes anunciadas neste sábado estão a de uma mulher Yanomami de 33 anos. O óbito dela foi registrado na sexta-feira, em Boa Vista, a capital de Roraima. A mulher, que tinha desnutrição grave e estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral de Roraima, deixou duas crianças, que estão internadas no único hospital infantil do estado, também em tratamento por desnutrição grave.
O pai das meninas, também doente, as acompanhava no Hospital da Criança Santo Antônio, em Boa Vista. Ele soube da morte da esposa na unidade de saúde ainda na sexta e decidiu acompanhar o corpo até a comunidade onde moravam, para participar do ritual fúnebre. Um servidor da saúde deve ficar com as crianças enquanto o pai estiver ausente.
O portal G1 teve acesso à declaração de óbito da vítima emitida pelo hospital. No documento, cita que ela teve acidose metabólica refratária e pseudocolite membranosa, que ocorre quando o paciente sofre de uma intensa desidratação, carência de nutrientes e inflamação intestinal que pode ser causada por verminose.
Além da morte da mulher em Boa Vista, o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana(Condisi), Júnior Hekurari Yanomami, informou neste sábado que há relatos de que ao menos outros cinco indígenas morreram em comunidades na Terra Yanomami. Entre as vítimas estão um menino, de 9 anos, e um líder indígena.
“Recebi a informação dos Yanomami da região de Surucucu. Eles disseram que uma liderança e uma criança de 9 anos faleceu de malária dentro da floresta. A equipe de saúde foi resgatar, mas só resgataram quatro yanomami em estado grave de malária. Os corpos estão lá na floresta”, disse Hekurari em entrevista à Rede Amazônica, afiliada na Globo no estado.
Segundo Júnior Hekurari Yanoma, as vítimas eram da comunidade Komatha, região de Surucucu, onde há o polo base de saúde considerado referência dentro do território, mas que a estrutura de internação se resume a um barracão de madeira de chão batido. “Morreram dentro da floresta porque foram procurar alimentação”, disse Hekurari, acrescentando que busca ajuda para retirar os corpos de onde estão para levá-los à comunidade onde residiam.
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Fonte: O tempo









































