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    Rondônia, quinta, 30 de abril de 2026.

Nacional

Pedrinho Matador: o serial killer que matou ‘mais de cem’ e começou em Minas

Pedrinho Matador nasceu em 1954, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais. O serial killer morreu neste domingo (5), em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, para onde fugiu após cometer seu primeiro assassinato, aos 14 anos de idade. Entre esses 69 anos, deixou um rastro de assassinatos para trás, “mais de cem”, segundo ele próprio, e tornou-se o assassino em série brasileiro com o maior registro de homicídios cometidos.

Sua morte ainda será investigada pela polícia e, até agora, o que se sabe é que dois homens que dirigiam um Gol preto o pararam na rua, de manhã, e o mataram a tiros. Menos de 24 horas antes, um vídeo publicado em sua conta no TikTok com quase 300 mil seguidores o exibe jogando sinuca com amigos, aparentemente feliz.

Pedro Rodrigues Filho nasceu com o crânio ferido devido a chutes que o pai deu na mãe durante uma briga, segundo relata uma entrevista da revista “Época” com ele realizada em 2003, na qual se baseiam as informações deste texto. Seu primeiro assassinato foi para honrar o pai: aos 14 anos, Pedrinho assassinou o vice-prefeito de Alfenas, após seu pai ser demitido do cargo de vigia de uma escola municipal. Fontes divergem, porém, e algumas apontam que o crime teria sido em Santa Rita do Sapucaí. 

Depois disso, ele fugiu para Mogi das Cruzes, onde moravam seus padrinhos. Envolveu-se com a viúva de um líder do tráfico, chamada Botinha, e tomou o lugar do falecido no crime. Entre assassinatos a rivais e ex-comparsas, manteve-se na região até Botinha ser morta pela polícia. Então dono de seu próprio negócio de tráfico, ele se apaixonou por Maria Aparecida Olímpia, que um dia encontrou morta, em casa. É em homenagem a ela uma de suas várias tatuagens, que diz “Sou capaz de matar por amo”. Outra tatuagem reforça que “Mato por prazer”. 

Ele foi preso pela primeira vez aos 18 anos e, na cadeia, matou uma série de detentos. As mortes foram tanto em brigas quanto por desagrado — ele afirma ter assassinado um colega de cela porque o homem “roncava demais”, por exemplo. Foi também na cadeia que disse ter assassinado o próprio pai e “mastigado o coração” do homem.

Pedrinho teve 71 homicídios em sua ficha criminal. Pela legislação brasileira, um detento pode passar no máximo 30 anos de prisão, portanto ele deveria ter sido libertado em 2003, mas só saiu da cadeia em 2007, já que sua pena aumentou devido aos assassinatos na prisão. Ele retornou para trás das grades em 2011, acusado de homicídios novamente, e foi libertado definitivamente em 2018. 

Desde então, dedicou-se a um canal no YouTube e a outro no TikTok, em que intitula ser um “ex-assassino”. Pedrinho dizia matar quem achava que “não prestava” — acusava o pai, por exemplo, de ter assassinado a mãe. Mas, para especialista em criminologia e autora do livro “Serial Killers: Made in Brazil”, Ilana Casoy, Pedrinho não era um justiceiro, mas um vingador, por matar aqueles que ele considerava como o que há de pior na sociedade. “Quando alguém desobedece o código de ética dele, ele tem soluções muito próprias e que não seguem a lei”.

“Acaba exercendo fascínio nas pessoas. É reflexo da sociedade que a gente tem, de um país onde só 10% dos homicídios são resolvidos. Traz essa visão distorcida”, diz Ilana. “O problema é que as vítimas de Pedrinho não tiveram direito a um advogado, como ele teve”, completa. Na década de 80, ele foi avaliado por dois psiquiatras, que disseram que a maior motivação de sua vida era “a afirmação violenta do próprio eu” e o diagnosticaram “caráter paranóide e anti-socialidade”.

(Com Paulo Eduardo Dias/Folhapress)

Fonte: O tempo

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