Uma pesquisa de opinião realizada com mais de 6,7 mil professores de escolas públicas do ensino fundamental e médio de todo o Brasil indica que 84% dos professores acreditam que cursos presenciais formam docentes mais preparados.
Dos 84% dos entrevistados, 53% dos profissionais da educação concordam totalmente com a afirmativa, enquanto 31% concordam em parte. O levantamento também indica que apenas 19% concordam totalmente que os formados em cursos de graduação de Pedagogia e licenciaturas estão preparando bem os docentes para o início da profissão.
Os dados são divulgados em um momento em que o número de professores formados em cursos à distância cresce no país. Em 2020, uma análise de dados feita pelo Censo da Educação Superior indicou que, entre 2010 e 2020, o número de concluintes em cursos de formação de professores em EAD na rede privada cresceu 109,4% no Brasil.
Para Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas do projeto Todos Pela Educação, “a pesquisa reforça, a partir da voz dos próprios professores, a necessidade de melhorias na formação docente, que é uma pauta central para a valorização da profissão e a garantia de uma educação de qualidade para todos.”
Ele pontua também sobre as necessidade de medidas específicas no âmbito federal, de apoio e indução, e nos níveis estaduais e municipais, para a formação continuada dos docentes. “O Ministério da Educação tem, nesse início de gestão, a oportunidade de iniciar um conjunto de políticas para apoiar e induzir avanços nos cursos de pedagogia e licenciaturas. Isso passa, por exemplo, por rever a forma como os cursos são avaliados e fortalecer programas de aproximação dos futuros professores com as escolas públicas.”
A pesquisa, encomendada ao Ipec em parceria com o projeto Todos Pela Educação, o Itaú Social, o Instituto Península e o Profissão Docente, ouviu 6.775 professores de escolas de ensino regular da rede pública (municipal e estadual). As entrevistas foram realizadas entre julho e dezembro de 2022 e permitem compreender a percepção dos docentes brasileiros sobre diferentes questões da Educação Básica.
Além dos desafios relacionados à formação inicial, outras preocupações são evidenciadas na pesquisa. Veja a seguir:
- Apenas 7% dos entrevistados concordam (2% totalmente e 5% em parte) que, no Brasil, os professores são tão valorizados quanto médicos, engenheiros e advogados;
- 92% concordam (61% totalmente e 31% em parte) que gostariam de participar mais do desenho de políticas e programas educacionais de sua rede de ensino.
- Além disso, a maioria dos entrevistados, afirmam que se pudessem decidir novamente, ainda escolheriam ser professor (62% totalmente e 21% em parte) com essa afirmação.
Para Mariana Breim, diretora de políticas educacionais e pesquisa do Instituto Península, “não há quem discorde de que o professor é uma figura muito importante na sociedade. Mas, a valorização pretendida é uma compreensão coletiva de que a carreira precisa ser mais atrativa, com condições de trabalho adequadas e ofertas consistentes e coerentes de desenvolvimento profissional”.
Fonte: O tempo









































