A lei que autoriza profissionais de saúde com curso superior a aplicarem a ozonioterapia como um tratamento complementar foi sancionada nesta segunda-feira (7), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A notícia sobre a medida causou dúvida em muita gente. Afinal, para que serve esse tratamento?
Antes de entender seus efeitos, é importante lembrar que, antes da sanção, entidades médicas chegaram a pressionar o presidente para vetar a lei, aprovada pelo Congresso. O Conselho Federal de Medicina (CFM), por exemplo, afirma que a prática não tem reconhecimento científico para o tratamento de doenças.
Além disso, o Ministério da Saúde também aconselhou o presidente contra a sanção da lei, apesar de a terapia fazer parte do programa integrativo do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2018. A pasta diz que só disponibiliza ozonioterapia em tratamentos odontológicos.
De acordo com a sanção publicada nesta segunda, o procedimento só poderá ser aplicado por meio de equipamento de produção de ozônio medicinal devidamente regularizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). E, segundo a Anvisa, a autorização da ozonioterapia no Brasil só ocorre em casos “dentística, periodontia, endodontia, cirurgia odontológica e assepsia da pele em estética”. Além disso, o profissional responsável pela aplicação deverá informar ao paciente que se trata de caráter complementar.
Mas, afinal, para que serve?
A ozonioterapia pode ser aplicada para melhorar a circulação, a oxigenação sanguínea e aumentar as ações anti-inflamatórias e antissépticas. Acredita-se que, quando o ozônio entra em contato com os fluidos corporais, há um aumento de proteínas, glóbulos vermelhos e o suprimento de oxigênio no corpo. O objetivo é melhorar a oxigenação dos tecidos e também fortalecer o sistema imunológico por meio de mecanismos celulares em resposta a um estresse oxidativo. As informações são do Portal Dráuzio Varella.
Durante o tratamento, uma mistura de ozônio e oxigênio puro (ozônio medicinal) é aplicada em alguma parte do corpo, por meio de injeção subcutânea, intravenosa ou intramuscular, gás vaporizado na pele, insuflação retal (o ozônio e o oxigênio são soprados por meio de um cateter localizado no intestino), insuflação no nariz, boca ou vagina, auto-hemotransfusão (o profissional tira o sangue do paciente, mistura com o ozônio e aplica de volta) ou através de óleos ozonizados aplicados por massagem. Os tratamentos dentários são os mais comuns para indicação de ozonioterapia.
Em entrevista à FM O Tempo nesta segunda, o médico Luis Fernando Correia, MBA em Gestão de Saúde, disse que, em alguns casos, há evidência científica de que a ozonioterapia pode ajudar. “Existe evidência de que a ozonioterapia funciona para tratamentos odontológicos. Por exemplo, pacientes que tiveram câncer de cabeça e pescoço e tiveram necrose na mandíbula, em um dos ossos que formam a nossa boca, esse osso pode necrosar, apodrecer com a radioterapia, nesse caso a ozonioterapia pode ser indicada”, comenta.
No entanto, ele alerta para as diversas promessas que são feitas por meio da ozonioterapia. “Se alguém diz que o que ele tem para vender cura tudo, provavelmente não cura nada, não serve para nada. Não existe solução mágica na saúde”, critica.
Quando surgiu?
A técnica teria surgido no século XIX, na Alemanha. Há relatos de que, durante a 1ª Guerra Mundial, médicos alemães e ingleses utilizaram o ozônio para tratamento de feridas em soldados. No Brasil, ela começou a ser utilizada em meados da década de 70.
Tem efeito colateral?
Especialistas que atuam na área apontam efeitos colaterais baixos em relação à ozonioterapia. Algumas clínicas que oferecem o procedimento apontam, no entanto, irritação da pele ou dor no local da aplicação como possíveis efeitos. Outras informam que, se o gás for inalado, podem ocorrer náuseas, vômitos, tosse e dor de cabeça. Reações alérgicas e complicações respiratórias também aparecem entre os possíveis efeitos colaterais. (*Com informações da Folhapress)
Fonte: O tempo









































