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    Rondônia, quarta, 29 de abril de 2026.

Nacional

Material de automutilação é vendido em site que se diz ligado à Igreja Católica

​Promovendo a ideia de “purificação dos pecados por meio do sofrimento”, um site que se diz ligada à Igreja Católica tem comercializado materiais de autoflagelação em sua página. Dentre os itens, são oferecidos produtos como, por exemplo, ganchos de ferro, chicotes e cintos que seriam utilizados durante a oração.

A página ainda menciona que o sofrimento torna as pessoas mais dignas do olhar divino. “No início, comece usando por cinco minutos – até porque você não vai conseguir ficar mais tempo que isso”, alerta a instrução de uso de um dos produtos.

“Você poderá experimentar uma intensa união com Deus”, continua uma propaganda veiculada na internet.

Pelas redes sociais, a loja se diz “ligados à Igreja”, no entanto, não faz parte de nenhuma arquidiocese do Brasil. O perfil destaca entre os seguidos o produto com o chamado “kit anti-demônio” que se trata de um cilício dos quatro principais cavaleiros da “proteção”.

“É o cilício que nos faz santos, e não o contrário”, comenta uma cliente de Brasília do site de vendas. A fiel diz que “era insensível à dor do irmão” antes de passar pelo ritual.

Segundo o grupo responsável pela comercialização dos produtos, há uma equipe religiosamente especializada para elaborar os itens. “Nossos produtos são feitos à mão e em clima de oração por uma pessoa extremamente fiel à Santa Igreja e à Santa Tradição escolhida depois de muita atenção.”.

Pelas redes sociais, a comercialização e uso dos equipamentos é controverso e tem causado polêmica. Conforme o professor de direito penal e processo penal Thiago Machado, não há crime na venda do utensílio. No entanto, induzir a prática é considerado crime.  “É um tema delicado porque envolve a liberdade religiosa, faz parte de um ritual religioso”, esclareceu ao portal Metrópoles.

O especialista explica também que caso uma pessoa use os instrumentos em outra pessoa contra a vontade é possível ter algum enquadramento criminal. Além disso, o uso em crianças também pode resultar em consequências jurídicas.

De acordo com uma das fundadoras do grupo, Vânia Cavalcante, eles não incentivam o uso. “A pessoa quando nos procura já sabe que quer o produto”. “O nosso propósito é levar a penitência. Acreditamos que é um caminho para encurtar a distância com Deus”, detalha.

A mulher também reconhece que há divergências dentro da própria Igreja quanto as práticas. “Tem padre que gosta e outro que critica”, declarou.  

A reportagem de O TEMPO questionou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre a comercialização dos produtos e das práticas de purificação dos pecados por meio do sofrimento. Entretanto, não obteve resposta até a publicação deste texto. Assim que obter uma resposta a matéria será atualizada.

Com informações do portal Metrópoles.

 

Fonte: O tempo

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