Quanto tempo levaria para juntar R$ 1 octilhão? Pelos cálculos do pastor evangélico Osório José Lopes Júnior, isso seria possível. Ele foi preso pela polícia civil em Sucupira, no sul do Tocantins, na tarde desta quinta-feira (21) por ser considerado o líder de um esquema de golpes financeiros que enganou mais de 50 mil vítimas. A investigação apontou que o religioso e seus comparsas prometiam lucro de até R$ 1 octilhão a quem desse dinheiro ao grupo.
Para se ter ideia da grandeza, um octilhão é 1 mais 27 zeros. O professor Gilcione Costa, do departamento de matemática da UFMG, disse que é impossível alcançar monetariamente essa grandeza. “Se uma pessoa ganhar R$ 1 trilhão por dia, demoraria 2,7 bilhões de milênios para juntar R$ 1 octilhão”, calcula.
Pelos cálculos do professor, ganhando R$ 1 trilhão por segundo, uma pessoa levaria 30 milhões de anos para ter R$ 1 octilhão. Ainda segundo ele, caso uma pessoa ganhasse R$ 5 mil por dia desde o descobrimento do Brasil, não teria sequer juntado R$ 1 bilhão até hoje.
Esse R$ 1 octilhão é ainda 1 trilhão de vezes maior que a soma de todos os Produtos Internos Brutos (PIBs) de todos os países do mundo convertidos em real. Segundo o Banco Mundial, a soma dos PIBs de quase todos as nações do planeta foi de US$ 101,6 trilhões em 2022.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2022 foi de cerca de R$ 10 trilhões. O PIB é toda a riqueza produzida no país em um ano. O ganho idealizado pelo pastor é cerca de 100 trilhões de vezes maior do que o PIB brasileiro do ano passado.
Entenda o caso
O pastor evangélico Osório José Lopes Júnior, preso em Sucupira, no sul do Tocantins, na tarde desta quinta-feira (21), é apontado como llíder de um esquema de golpes financeiros que enganou mais de 50 mil vítimas. A operação contra o bando de fraudadores foi deflagrada na quarta-feira (20). O grupo criminoso tem dezenas de pastores evangélicos que movimentaram R$ 156 milhões em cinco anos, além de criar 40 empresas fantasmas e ter mais de 800 contas bancárias suspeitas, segundo a polícia brasiliense. Iniciada há um ano, a investigação aponta que os investigados prometiam retornos “imediato e rentabilidade estratosférica”.
O pastor Osório José Lopes Júnior, que é deficiente visual, afirmava em suas pregações e nas redes sociais que os títulos oferecidos já contariam com autorização do governo federal, por meio do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, para serem pagos. No golpe, além dos púlpitos das igrejas, o pastor Osório Júnior usava o YouTube, onde tem um canal com mais de 70 mil inscritos e cerca de 500 vídeos publicados. Em seus vídeos, em meio às pregações, pede dinheiro para a “operação”, seus supostos milagres financeiros.
As vítimas assinavam contratos falsos, com promessas de liberação de quantias desses investimentos, que estariam registrados no Banco Central e no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Segundo investigação da polícia, pessoas no Brasil e no exterior eram induzidas a investirem quantias em dinheiro com a promessa de recebimento futuro de valores super altos, sendo persuadidos com o uso da fé alheia, da crença religiosa e invocando de uma teoria conspiratória apelidada de “Nesara Gesara”. O golpe, aplicado por lideranças religiosas, consistia na conversa enganosa por meio de redes sociais, como YouTube, Telegram, Instagram e WhatsApp. A polícia detectou a promessa de que, com um depósito de R$ 25, as pessoas poderiam receber de volta o valor de R$ 1 octilhão, ou mesmo “investir” R$ 2.000 para ganhar 350 bilhões de centilhões de euros.
Denominada de “Falso Profeta”, a operação cumpriu dois mandados de prisão preventiva e dezesseis mandados de busca e apreensão no Distrito Federal contra uma organização criminosa por prática de estelionato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, informou a Polícia Civil. A investigação começou há cerca de um ano. A investigação apontou movimentação superior a R$ 156 milhões nos últimos cinco anos, bem como foram identificadas cerca de quarenta empresas “fantasmas” e de fachada, e mais de oitocentas contas bancárias suspeitas.
Os alvos eram, em sua grande maioria, evangélicos, que investiam suas economias em falsas operações financeiras ou falsos projetos de ações humanitárias, com promessa de retorno financeiro imediato e grande rentabilidade.
O golpe fez mais de 50 mil vítimas, que eram de “diversas camadas sociais” e localizadas em quase todos os Estados. Para enganar as pessoas, os suspeitos tinham pessoas jurídicas “fantasmas” e de fachada simulando ser instituições financeiras digitais, com alto capital social declarado, por meio das quais as vítimas supostamente iriam receber suas fortunas.
A organização é composta por cerca de duzentos integrantes, incluindo dezenas de lideranças evangélicas intitulados pastores, que induzem e mantêm em erro as vítimas, normalmente fiéis que frequentam suas igrejas, para acreditar no discurso de que são pessoas escolhidas por Deus para receber a “Benção”, ou seja, as quantias milionárias. Para dar aparência de veracidade e legalidade às operações financeiras, os investigados ainda celebram contratos com as vítimas, com promessas de liberação de quantias surreais provenientes de inexistentes títulos de investimento, que estariam registrados no Banco Central do Brasil e no Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
A INVESTIGAÇÃO
Em dezembro do ano passado, a Polícia Civil prendeu, em Brasília, um suspeito de envolvimento no esquema, após ele ter feito uso de documento falso em uma agência bancária, simulando possuir um crédito de aproximadamente R$ 17 bilhões. Mesmo após a prisão em flagrante do suspeito, o principal digital influencer da organização criminosa, o grupo continuou aplicando golpes.
Foram cumpridas medidas cautelares de bloqueio de valores, bloqueio de redes sociais e decisão judicial de proibição de utilização de redes sociais e mídias digitais. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e outros quatro estados: Goiás, Mato Grosso, Paraná e São Paulo. Os alvos poderão responder pelo cometimento dos delitos de estelionato, falsificação de documentos, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem tributária e organização criminosa.
Saiba quantos zeros tem de bilhão para cima
- Bilhão: 9 zeros
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- Octilhão: 27 zeros
- Nonilhão: 30 zeros
- Decilhão: 33 zeros
- Undecilhão: 36 zeros
- Duodecilhão: 39 zeros
Fonte: O tempo









































