Pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e da Universidade Regional do Cariri (URCA) localizaram um novo gênero e uma nova espécie de camarão fóssil com aproximadamente 90 milhões de anos. O fóssil foi encontrado no município de Caldeirão Grande do Piauí. O anúncio da descoberta foi feito nesta quinta-feira (4/5).
O fóssil recebeu a denominação de Somalis piauienses, e é oriundo do município de Caldeirão Grande do Piauí, 435 km da capital Teresina, e foi localizado na porção oeste da Bacia do Araripe, pelos paleontólogos Dr. Paulo Victor de Oliveira (UFPI) e Dra. Olga Alcântara Barros (URCA).
Trata-se, portanto, do primeiro camarão fóssil encontrado em território piauiense e o primeiro encontrado na borda oeste da Bacia do Araripe. A descoberta também aconteceu ao lado da professora Olga Alcântara Barros, docente da Universidade Regional do Cariri (URCA).
Segundo o professor Paulo Victor, a descoberta é importante por se tratar tanto de um novo gênero quanto de uma nova espécie. “Essa descoberta amplia a diversidade fossilífera da Bacia do Araripe como um todo. Há 10 anos, tenho trabalhado na borda oeste desta bacia aqui no Piauí. Durante esse tempo, vários alunos passaram pelo Laboratório de Paleontologia de Picos, que é vinculado ao curso de Ciências Biológicas da Universidade do referido campus. Em uma das viagens de campo à procura de fósseis, com a participação de alguns alunos, encontramos esse material que hoje apresentamos à sociedade e à comunidade acadêmica”, destacou.
Com a descoberta, os pesquisadores homenageiam a paleontóloga Maria Somália Sales Viana, professora da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA, Sobral, Ceará), em reconhecimento a sua extensa contribuição aos estudos de geologia e paleontologia da Bacia do Araripe e do Brasil. Desta forma, a descoberta é inédita para a paleontologia mundial, ampliando a diversidade dentro do grupo de camarões fósseis.
O professor Paulo Victor também explica sobre a idade de 90 milhões de anos do camarão. “As rochas apresentam em sua composição alguns elementos chamados isótopos estáveis. É possível saber a idade da rocha e dos fósseis que estão inseridos nelas, através do estudo desses isótopos. As rochas que compõem o território nacional, quando este foi mapeado geologicamente, foram sendo datadas (tiveram a idade definida) através de estudos dessa natureza”, disse.
O artigo científico foi publicado no periódico internacional ZOOTAXA. A pesquisa foi financiada em parte pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP) e pelo Edital Mulheres na Ciência.
Fonte: O tempo









































