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    Rondônia, quarta, 29 de abril de 2026.

Nacional

Fake news levam pais a evitar vacinas para os filhos, aponta pesquisa

O medo de possíveis efeitos colaterais (19,76%) aliado à falta de confiança nas vacinas (19,27%) são atualmente os principais motivos que levam pais e responsáveis a negligenciar a vacinação de crianças e adolescentes. A conclusão é de dados preliminares da pesquisa “Hesitação vacinal: por que estamos recuando em conquistas tão importantes?”, feita pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pelo Instituto Questão de Ciência (IQC).

Para chegar ao resultado, os pesquisadores entrevistaram cerca de mil pediatras que responderam quais foram as dúvidas mais comuns sobre o tema, relatadas pelas famílias durante as rotinas de atendimento pediátrico. 

Segundo os médicos, os pais também alegaram outros motivos para não levarem os filhos para tomar vacinas: “esquecimento” (17,98%), a falta de imunizantes no serviço público (17,58%) e o preço das vacinas no setor privado (10,69%).

A íntegra da pesquisa será conhecida no fim de maio, mas os dados já conhecidos também indicam uma relevante influência de “informações não confiáveis” sobre o comportamento das famílias.

Segundo a percepção dos especialistas, esse conteúdo é veiculado sobretudo por meio das redes sociais (30,95% deram essa resposta). Aplicativos de mensagens, como o WhatsApp (8,43%), e a internet como um todo (13,60%) aparecem com um poder de influência superior ao da TV (3,34%).

Muitas dúvidas e afirmações falsas baseadas em desinformação têm chegado até os pediatras. Entre as principais, estão frases como “Minha filha não precisa da vacina para HPV pois ainda não iniciou a vida sexual”; “Vacina para HPV pode gerar efeitos neurológicos graves”; e ainda “A doença por rotavírus é leve em crianças”.

“Há décadas as vacinas previnem ou impedem o agravamento de doenças. A partir da análise dessas informações trazidas pelos pediatras, nossa intenção é propor novas estratégias de enfrentamento contra a desinformação e, consequentemente, a hesitação vacinal”, esclarece o presidente da SBP, Clóvis Francisco Constantino.

Segundo 81,29% dos pediatras entrevistados, a vacina contra a covid-19 é a que tem gerado maior apreensão nas famílias, seguida pelas vacinas contra o vírus influenza (6,7%) e a febre amarela (6,09%), doenças mais conhecidas pela população.

Os principais motivos alegados pelos pais nos consultórios para rejeitarem a vacina contra o coronavírus para os filhos são: “a vacina da covid-19 com tecnologia RNA pode trazer riscos à saúde das crianças” (18,09%); “não aceitar correr riscos, uma vez que imunizações podem causar doenças como miocardite e trombose” (16,58%); “as vacinas de RNA não são seguras no longo prazo” (13,07%); “crianças não têm covid grave” (12,84%); e “não conheço nenhuma criança que morreu de covid” (8,80%).
 
De acordo com a presidente do IQC, Natalia Pasternak, a hesitação vacinal no Brasil não pode ser entendida como uma tendência natural ou espontânea. Ela surge a partir da coordenação de movimentos antivacinas e é fruto de interesses financeiros, ideológicos ou políticos. “A desinformação não é uma mentira ‘inocente’, mas pode ser combatida por meio de estratégias baseadas na ciência e no melhor conhecimento atual sobre o assunto”, explica. 

Fonte: O tempo

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