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    Rondônia, quarta, 28 de janeiro de 2026.

Nacional

Discurso antivacina pode impactar na cobertura da imunização, diz estudo da UFMG

Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que, com a pandemia da Covid-19, o negacionismo em relação às vacinas virou um fator de desestabilização a longo prazo do Programa Nacional de Imunização (PNI), o que pode contribuir para uma redução futura da cobertura vacinal no país.

De acordo com o estudo, feito pelo Núcleo de Educação em Saúde Coletiva (Nescon) da Faculdade de Medicina da UFMG, em parceria com o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), o contexto da pandemia abriu espaço para a circulação de discursos anti-vacina que podem contribuir para a hesitação vacinal. 

Dessa forma, a difusão de teorias conspiratórias e suspeitas infudadas contra as vacinas se uniram a outros fatores, como gargalos de infraestrutura, recursos humanos e logística, que, historicamente, eram, até a última década, os principais responsáveis pela redução da cobertura vacinal no Brasil.

“Esses discursos podem não ter surtido efeito imediato na contenção da vacinação de adultos contra a Covid, mas eles semeiam ideias e suspeitas que não eram relevantes em nosso contexto. Isso afeta a forma como as pessoas entendem as vacinas e pode ter consequências de longo prazo para campanhas futuras”, diz o pesquisador do Nescon Sábado Girardi, um dos coordenadores do estudo.

Segundo o professor do departamento de Ciência Política da UFMG Ricardo Mendonça, que integra a pesquisa, os discursos antivacina integram um novo desafio para a imunização nacional. 

“Quando pensamos ações de imunização no Brasil, o fortalecimento da desinformação sobre vacinas é um desafio novo e que veio para ficar. Será importante compreender como muitos dos discursos contra as vacinas da Covid-19 vão dialogar com o contexto mais amplo de nosso calendário vacinal, erguendo novos fatores de hesitação”, diz.

O estudo analisou, entre maio e novembro de 2021, 8,3 milhões de tuítes de mais de 2 milhões de usuários únicos com o tema de vacinação; 93 mil vídeos no YouTube, além de ter se baseado em uma pesquisa com usuários do SUS, gestores e profissionais de saúde por meio de surveys, entrevistas e grupos focais.

Fonte: O tempo

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