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    Rondônia, sexta, 01 de maio de 2026.

Nacional

Boate Kiss: Associação de parentes das vítimas destaca importância de série

“É muito importante que se registre a memória, que se registre o que aconteceu e por que aconteceu, para que outras pessoas e outros pais não sofram o mesmo que nós sofremos”. É assim que Paulo Carvalho, pai de Rafael Carvalho, uma das 242 vítimas do incêndio na boate Kiss, define a série “Todo Dia a Mesma Noite”, da Netflix. A produção, que estreou no último dia 25 de janeiro – dois dias antes de completar exatos dez anos da tragédia -, tem recebido elogios nas redes sociais, mas, por outro lado, tem desagradado um grupo de familiares de vítimas, que declarou que pretende processar a plataforma de streaming.

Carvalho é integrante da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), entidade composta por mais de 600 familiares de vítimas e que, segundo ele, representa cerca de 3.000 pessoas. “É a representante oficial (dos familiares) nos eventos, nas audiências”, pontua ele, que atua como diretor jurídico na AVTSM. Ao contrário do que foi noticiado anteriormente por O TEMPO, a associação não pretende entrar com uma ação contra a Netflix, mas sim outro grupo, também de familiares de vítimas da boate Kiss. “Na verdade, não é nem uma entidade diferente. Esse grupo, que pretende processar a Netflix, é um grupo de pais que não tem nenhum vínculo com a associação”, explica.

A ideia de processar a plataforma de streaming pela série “Todo Dia a Mesma Noite” é encabeçada pelo grupo coordenado pelo empresário Eriton Luiz Tonetto Lopes, que na tragédia da boate Kiss perdeu a filha Évelin Costa Lopes, de 19 anos. “Nós fomos pegos de surpresa, ninguém nos avisou, ninguém nos pediu permissão. Nós queremos saber quem está lucrando com isso. Não admitimos que ninguém ganhe dinheiro em cima da nossa dor e das mortes dos nossos filhos”, disse Lopes ao site GaúchaZH. O empresário também afirmou que alguns pais estão passando mal por causa da série.

Em entrevista a O TEMPO, Paulo Carvalho comenta que entende o fato de a produção, assim como a também recém-lançada série documental “Boate Kiss: A Tragédia de Santa Maria” (Globoplay) causarem desconforto pela dor que a tragédia provocou naqueles que perderam familiares e amigos. “É claro que podem protestar, eles têm esse direito, mas é uma coisa pública, é uma tragédia do mundo. É uma tragédia que aconteceu em Santa Maria e que poderia ter acontecido em qualquer cidade do país e ou do mundo, como já aconteceram outras tragédias causadas pela ganância, pela omissão do poder público, por irresponsáveis”, alega o diretor jurídico da AVTSM.

Carvalho também destaca o fato de “Todo Dia a Mesma Noite” (inspirada no livro homônimo da jornalista mineira Daniela Arbex) não retratar individualmente as 242 pessoas que morreram na madrugada de 27 de janeiro de 2013 na boate Kiss, mas sim um recorte das quatro famílias de vítimas que foram processadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul – em 2015, um grupo de familiares fixaram, em diversos pontos de Santa Maria, cartazes criticando os órgãos públicos e também a Justiça do Estado. “Para quem vê os cinco episódios, é sobre isso. Não daria para a Netflix ou qualquer pessoa que vá falar sobre o assunto conseguir colocar todos os familiares; é impossível. Todos os quatro ali têm ciência e concordância”, disse ele, que é uma das pessoas processadas pelo Ministério Público.

Dez anos depois da tragédia, familiares e amigos das vítimas do incêndio da boate Kiss aguardam justiça e que os responsáveis sejam condenados – até o momento, ninguém está preso, e o processo vem percorrendo diversos tribunais e instâncias. A associação tentou, sem sucesso, responsabilizar políticos e outras autoridades públicas de Santa Maria. Hoje, eles aguardam o fim do julgamento dos donos da boate, que a deixaram operar acima da capacidade, sem alvará, com extintores de incêndio disfuncionais e isolada com espuma imprópria. Querem ainda a responsabilização dos membros da banda Gurizada Fandangueira que se apresentava,  por terem acendido equipamentos pirotécnicos proibidos para uso interno, mais baratos do que os adequados.

Enquanto isso, Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria está envolvida com o projeto de construção de um memorial, que será instalado no mesmo local onde funcionou a boate Kiss. Segundo Paulo Carvalho, a Prefeitura de Santa Maria entregou as chaves do imóvel para a AVTSM. A atual estrutura, de acordo com ele, será demolida para ser erguido o memorial.

Fonte: O tempo

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