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    Rondônia, sábado, 25 de abril de 2026.

Nacional

Araujo é investigada após vender remédio contaminado que teria matado homem

O Procon Estadual de Minas (Procon-MG) proibiu a comercialização de 11 lotes do Gastrol TC, um medicamento para azia e má digestão fabricado pela Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A. A suspeita é que haja presença de Fenol, uma substância cáustica com poder altamente corrosivo para o organismo humano.

Além disso, a Drogaria Araújo está sendo investigada pelo Procon-MG após um homem ingerir o medicamento contaminado que havia sido comprado em uma das unidades da empresa em Belo Horizonte e morrer dias depois. O lote vendido à filha do homem já estava com venda e distribuição suspensa pela Anvisa, após a detecção do fenol na composição.

De acordo com o órgão, os lotes com proibição de venda são: B22J1380, B22J1381, B22J1382, B22J1383, B22J1384, B22K2843, B22K2844, B22L1811 do Gastrol TC Suspensão 250 ml e aos lotes B22G2789, B22G2790 e B22K2389 do Gastrol TC Suspensão 240 ml

A medida cautelar foi determinada, nessa quarta-feira (13), e faz parte de uma Investigação Preliminar instaurada pelo Procon-MG.

Lote contaminado

Uma análise laboratorial, solicitada pelo Procon-MG ao Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais, constatou a presença de Fenol em uma amostra do lote B22G2789 do medicamento. Há suspeita de que o uso de uma unidade desse lote tenha levado um homem à morte.

De acordo com informações do Ministério Público de Minas Gerais, após ingestão do produto do lote B22G2789, o homem teve fortes dores abdominais, desconforto epigástrico, náuseas, vômitos e morreu três dias depois de causa desconhecida. O MPMG não informou a data dessa morte.

O lote B22G2789 já tinha tido a comercialização e a distribuição proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas mesmo assim foi vendido à filha da vítima em uma unidade da Drogaria Araújo, em Belo Horizonte. Por esse motivo, a investigação do Procon-MG foi instaurada contra o fabricante e a drogaria.

Em nota, a Araujo “informa que apresentou todas as informações e respostas pertinentes às questões levantadas pelo Procon via processo administrativo e permanece à disposição do órgão para os esclarecimentos que se fizerem necessários”.

Substância corrosiva 

De acordo com avaliação de um perito, a ingestão de fenol pode causar queimação na garganta e inflamação gastrointestinal grave dependendo da dose consumida. Sua inalação pode provocar irritação pulmonar e edema. Na pele, pode provocar desde dor até queimaduras e feridas. O perito ainda informou que a amostra enviada para análise “apresentava forte odor desagradável, possivelmente pela presença do fenol” detectado no exame. 

Para o Promotor de Justiça de Defesa do Consumidor de Belo Horizonte Ruy Alexandre Neves da Motta, que assina a medida cautelar, a constatação da existência de fenol na amostra deixa claro que o produto desses lotes é impróprio e perigoso para o consumo humano.

O Procon-MG determinou ainda que a Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica dê ampla divulgação sobre a proibição da comercialização dos 11 lotes, sobre a suspensão do uso e sobre a constatação da presença de fenol em uma amostra de um lote do produto. 

No site da empresa, um comunicado avisa aos consumidores sobre os lotes suspensos e informa a identificação de alteração de sabor e odor nos remédios, mas não cita a presença de fenol. A empresa afirma que “não há restrição sobre a comercialização e uso de outros lotes do produto ou outras apresentações da marca como pastilhas e efervescentes”. “Lamentamos sinceramente o inconveniente e reafirmamos nosso compromisso em oferecer produtos de alta qualidade e segurança”, diz o comunicado.

Em nota, a Brainfarma informou que, “em janeiro de 2023, comunicou proativa e voluntariamente consumidores e o mercado sobre recolhimento dos lotes”. De acordo com a empresa, a ação foi concluída de forma satisfatória. “Não há efeitos adversos relevantes comprovados em conexão com o consumo desses lotes e comprovadamente não houve adição de fenol na fabricação do produto”, diz a nota.

 

Tem um lote contaminado em casa? Saiba o que fazer

Segundo orientação da Brainfarma, o consumidor que tiver um frasco do Gastrol Antiácido Suspensão 250 ml ou Gastrol TC Suspensão 240 ml em casa, deve verificar  número do lote na caixa da embalagem ou no rótulo do frasco. Se o lote for de um dos que está na lista, o uso deve ser suspendido imediatamente e deve-se entrar em contato com o SAC da farmacêutica pelo número 0800 979 9900 ou pelo e-mail [email protected].

Fonte: O tempo

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