Connect with us

Hi, what are you looking for?

    Rondônia, domingo, 26 de abril de 2026.

Nacional

Lula diz que PAC é oportunidade para Brics e bloco ultrapassou G7 no PIB global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (22), que o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é uma oportunidade de investimento para países que integram o Brics – bloco composto por Rússia, Índia, China e África do Sul, além do Brasil. 

O petista fez a declaração durante a abertura do Fórum Empresarial do Brics, em Joanesburgo, na África do Sul, ressaltando que o PAC deve movimentar US$ 340 bilhões (mais de R$ 1,7 trilhão). 

“O plano prevê a retomada de empreendimentos paralisados, a aceleração dos que estão em andamento e a seleção de novos projetos. Trata-se de um programa amplo, com muitas oportunidades que podem interessar aos investidores dos países do Brics”, disse Lula. 

Ele destacou investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Segundo ele, o governo também dará prioridade a projetos envolvendo a geração de energia solar, eólica e a partir de biomassa, além do etanol e do biodiesel. “É enorme o nosso potencial de produção de hidrogênio verde”, completou. 

“Estabeleceremos parcerias entre o governo e os empresários em todas as áreas, sob forma de concessões, parcerias público-privadas e contratações diretas. Para que o investimento volte a crescer e gerar desenvolvimento precisamos garantir mais credibilidade, muita previsibilidade e estabilidade jurídica, política e social para o setor privado.” 

Lula afirma que Brics ultrapassou o G7 no PIB mundial

Ainda no discurso, Lula afirmou que o Brics ultrapassou o G7 no PIB mundial e que o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul é a “força motriz” do dinamismo econômico do Sul Global. 

“Já ultrapassamos o G7, respondemos por 32% do PIB mundial em paridade de poder de compra. Projeções indicam que os mercados emergentes, em desenvolvimento, são aqueles que apresentarão maior índice de crescimento nos próximos anos”, afirmou o presidente brasileiro.

Ele também afirmou que o FMI tem reduzido projeções de crescimento para os países desenvolvidos e aumentado as estimativas para os países em desenvolvimento.

“Segundo o FMI, enquanto os países industrializados devem desacelerar seu crescimento de 2,7% em 2022 para 1,4% em 2024, o crescimento previsto para os países em desenvolvimento é de 4% nesse próximo período. Isso mostra que o dinamismo da economia está no sul global e o Brics é sua força motriz”, disse Lula.

Lula volta a defender uso de moeda alternativa ao dólar

O presidente voltou a defender o uso de uma moeda alternativa ao dólar para o comércio entre os países do Brics. Ele afirmou ainda que o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco dos Brics, deve ser um líder global no financiamento e uma plataforma estratégica para promover a cooperação entre os países em desenvolvimento.

“As necessidades de financiamento não atendidas dos países em desenvolvimento continuam muito altas. A falta de reformas substantivas das instituições financeiras tradicionais limita o volume e as modalidades de crédito dos bancos já existentes. A decisão de estabelecer o Novo Banco de Desenvolvimento representou um marco na colaboração efetiva entre as economias emergentes”, disse.

Lula também comentou a relação do Brasil com os países africanos e disse que a África reúne “vastas oportunidades e enorme potencial de crescimento”. “Neste continente, que é o mais jovem do mundo e será o mais populoso em 2100, são inúmeras as oportunidades para produtos brasileiros como alimentos e bebidas, petróleo, minério de ferro, veículos e manufaturas de ferro e aço”.

Em discursos a empresários de países do Brics, o presidente destacou as potencialidades com as transições energética e digital e afirmou que é possível integrar as cadeias produtivas e agregar valor aos bens e serviços produzimos de forma sustentável nos dois continentes. Lula citou ainda a colaboração em áreas como agricultura e saúde. 

“A África tem 65% das terras agricultáveis disponíveis no mundo e forte vocação para ser uma potência agrícola, com capacidade para alimentar seu povo e oferecer soluções para a segurança alimentar global. Aliando investimento e tecnologia, o Brasil desenvolveu técnicas modernas de agricultura tropical que podem ser replicadas com sucesso”, disse.

Por fim, ele defendeu a ampliação das conexões marítimas e aéreas entre os dois lados do Atlântico. “É inexplicável que ainda não tenhamos voos diretos entre São Paulo e Joanesburgo, Cairo ou Dacar, essenciais para o aumento do fluxo de pessoas, comércio e turismo”, afirmou. 

Lula diz que Brics devem ter banco maior que FMI

Mais cedo, Lula disse, durante sua live semanal, que o Brics quer um banco “maior que o FMI”. O bloco econômico tem o NBD, voltado a financiamento de investimentos, hoje presidido por Dilma Rousseff, ex-presidente brasileira.

“A gente [Brics] vai se tornar forte, a gente quer criar um banco muito forte, que seja maior que o FMI, mas que tenha outro critério de emprestar dinheiro para os países, não de sufocar, mas emprestar na perspectiva de que o país vai criar condições de investir o dinheiro, se desenvolver e pagar sem que o pagamento atrofie as finanças”, afirmou Lula no Conversa com o Presidente, sua live semanal. Dessa vez, o petista fez o programa direto de Joanesburgo.

Lula, no entanto, negou que queira fazer um contraponto ao G7, ao G20 ou aos Estados Unidos por meio do Brics. Ele disse ser favorável à inclusão de novos países no bloco. “O Brics não pode ser um clube fechado. O G7 é um clube fechado”, destacou.

Está na pauta da cúpula que começa nesta terça os critérios para uma eventual ampliação do Brics. Mais de 20 países já manifestaram formalmente interesse em integrar o Brics, como  Irã, Arábia Saudita e Argentina. A decisão sobre a inclusão de novos membros e uma eventual ampliação do acrônimo precisa ser tomada por consenso dos cinco integrantes atuais.

Ainda na live semanal, Lula voltou a criticar o formato de governança mundial, com o Conselho de Segurança da ONU tendo só cinco integrantes permanentes e com poder de veto. Lula indicou que quer operar dentro dos Brics para obter apoio de China e Rússia, integrantes do Conselho, para reformar a governança global.

“É preciso que a gente convença a Rússia e a China de que Brasil, África do Sul e a Índia podem entrar no Conselho de Segurança. Esse é um debate que nós vamos discutir. Inclusive, para a gente possibilitar a entrada de novos países a gente tem que limitar uma certa coisa que todo mundo concorde. Se não tiver um grau de compromisso dos países que entram no Brics, vira uma torre de babel”, disse.

O Brics não tem um critério formal de filiação. O grupo funciona mais ou menos nos moldes do G7 (grupo das sete maiores economias do planeta), que periodicamente se reúne para discutir políticas externas. 

Nascido de um acrônimo (palavra formada por iniciais) cunhado em 2001 por Jim O’Neil, então economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs, o Brics nasceu como Bric, que também significa tijolo em inglês. Na época, o economista tentava designar economias emergentes com alto potencial de crescimento no século 21. Apenas em 2006, os quatro países constituíram um fórum formal de discussões, na Reunião de Chanceleres organizada à margem da 61ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em setembro daquele ano.

Após um período em que apenas ministros de Relações Exteriores se encontravam, o Bric promoveu a primeira reunião de chefes de Estado em 2009, na Cúpula de Ecaterimburgo, na Rússia. Em 2010, foi realizado o segundo encontro, em Brasília. Em 2011, na terceira reunião de cúpula, em Sanya (China), a África do Sul foi incluída, e a sigla ganhou a letra s.

Em 2014, a integração aumentou, com o anúncio da criação do NBD, na reunião de cúpula em Fortaleza, em julho daquele ano. Fundada formalmente em 2015, a instituição financia projetos de infraestrutura e crescimento sustentável nos países-membros. Em oito anos, o NDB emprestou US$ 33 bilhões para 100 projetos de infraestrutura, energia renovável, transporte, entre outras iniciativas.

Também em 2014, foi formado o Fundo de Reservas do Brics para preservar a estabilidade financeira dos países membros em tempos de crise. Reserva de recursos para ser usada como socorro em caso de necessidade, o fundo nasceu com US$ 100 bilhões. Desse total, US$ 41 bilhões vieram da China. Brasil, Índia e Rússia contribuíram com US$ 18 bilhões cada, e a África do Sul entrou com os US$ 5 bilhões restantes. No caso do Brasil, os recursos vieram de uma parte das reservas internacionais do Banco Central alocadas no fundo.

Fonte: O tempo

Mais notícias