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    Rondônia, terça, 28 de abril de 2026.

Nacional

Congresso internacional de jornalismo debate diversidade no país

“Com condições sociais desiguais não dá para se falar em democracia”. Essa é uma das falas da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, no 18º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), na tarde desta quinta-feira (29). No primeiro dia do evento, que segue até domingo (2/7), o preconceito e a necessidade de se pensar em diversidade na comunicação e na política estiveram no centro de vários debates. 

Para a ministra, a morte violenta da juventude negra do país e a eliminação de povos indígenas só vão ser freadas por meio de uma ação articulada entre todas as pastas do governo. “Eu acredito na luta conjunta, porque sozinhos não vamos conseguir nada”, diz.

Segundo Anielle, ela já está em conversas diretas com outros ministros a fim de implantar políticas de diversidade conjuntamente. Entre as ações em articulação está a criação de programas para aumentar a empregabilidade de pessoas negras nas iniciativas privada e pública. Ela lembra que pessoas pretas qualificadas para ocupar os mais variados cargos não faltam no país. O problema, segundo ela, seriam os acessos. 

Ao mesmo tempo em que se encontra com seus pares para articular políticas no centro do poder, a ministra tem feito um trabalho de escuta ativa nas comunidades para detectar as principais necessidades. 

Além do painel “Da periferia ao Palácio do Planalto: ministra Anielle Franco e o combate à desigualdade racial”, a negritude foi tema da mesa “Perspectivas Negras no Jornalismo: vozes femininas do Brasil e dos Estados Unidos”. Nela, a editora de Cidades de O Tempo e integrante do Coletivo Lena Santos, Tatiana Lagôa, discutiu estratégias para um jornalismo antirracista.

A jornalista contou que, apesar de o país ser estruturalmente racista, existem ações pela igualdade racial em curso também dentro das redações e lembrou da campanha inédita “Opinião Sim, Ofensa Não” encampada pelo O Tempo quando profissionais foram vítimas de ataques preconceituosos.

“Eu queria estar aqui para dizer que não existe racismo no país, mas não seria verdade. Em um país machista, racista, homofóbico, todo mundo tem algum preconceito porque fomos criados assim. O que painéis como esse e debates na imprensa fazem é problematizar essas questões e, com isso, reduzem um pouco desses vieses. Vamos morrer com racismo em voga no país, mas o que importa é o que fizemos, como colaboramos, para dar um passo de cada vez rumo à eliminação do preconceito. É um trabalho de formiguinha mesmo e que precisa ser feito em conjunto por pessoas negras e não negras. Racismo não pode ser um papo de preto para preto”, afirma. 

Presente na mesma mesa, Dorothy Tucker, presidente da Associação Nacional de Jornalistas Negros, dos Estados Unidos, e repórter investigativa no país, lamenta não ter leis mais severas de combate às notícias falsas e ao discurso de ódio nas redes sociais. Ela apresentou casos em que jornais norte-americanos chegaram a repostar desinformação de cunho racista no contexto de protestos do movimento “Vidas Negras Importam”, que eclodiram após o assassinato de George Floyd. “É preciso denunciar sempre”, disse ela. 

O genocídio da população indígena também foi tema no primeiro dia de debates com o painel “Crise Humanitária na Terra Indígena Yanomami”.

Fonte: O tempo

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