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    Rondônia, quinta, 30 de abril de 2026.

Nacional

Ideia de suspender Novo Ensino Médio é comemorada por especialistas e entidades

A possibilidade de o Ministério da Educação (MEC) suspender a implementação do Novo Ensino Médio (NEM) no Brasil foi vista de forma positiva por especialistas em educação, entidades estudantis e sindicados de professores. Para muitos, o novo modelo de ensino deveria ser revogado e dar lugar a outra proposta. Suspender seria uma prova de que o governo está aberto a discutir as mudanças. A principal consequência dessa suspensão seria em relação às mudanças no Exame Nacional do Ensido Médio (Enem) de 2024, consequência natural do novo modelo.

De acordo com o professor emérito da Faculdade de Educação da UFMG, Eduardo Fleury Mortimer, há uma série de falhas no modelo atual, como a falta de infraestrutura para seguir as propostas de itinerários formativos que compõem o Novo Ensino Médio. “É uma lei que não encontra respaldo na realidade. Tem escola que não tem sala de informática ou mesmo biblioteca”, exemplifica. “Esse novo ensino veio com a promessa de flexibilizar a oferta de disciplinas, mas essa promessa não ocorre porque as escolas não conseguem oferecer os itinerários educacionais, essa flexibilização já nasceu morta pela falta de infraestrutura.”

Segundo ele, essa falta de infraestrutura, principalmente em escolas públicas, aumenta o “abismo” entre alunos da rede pública e da rede privada, que na teoria teria mais condições de oferecer todos os itinerários formativos previstos pelo MEC, que, segundo Mortimer, também não foram bem planejados. “Imagine que você mora em uma cidade que só tem uma escola e que só oferece um itinerário. Essa escola está condenando o aluno a não ter condições de fazer um vestibular na área que deseja. O Novo Ensino Médio tira a oportunidade de alunos de escola pública conseguirem chegar nas boas universidades”, exemplifica.

Para o diretor do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro), José Carlos Arêas, além das diferenças de infraestrutura, a lógica do Novo Ensino Médio não prepara o jovem para abrir horizontes, mas para o mercado de trabalho precarizado. “Nós temos que discutir uma reforma sob o ponto de vista de que tipo de educação nos interessa, ela tem que estar articulada com o projeto de nação e não com a lógica de mercado”, diz.

“Essa reforma aumentou o número de opções como se o jovem tivesse a liberdade de escolher a trilha numa idade que ele não tem condições para fazer esse tipo de opção. Ficamos satisfeitos com a notícia da possibilidade de suspensão porque nos abre um debate do que queremos no ensino. Nenhum de nós havia sido consultado ou aceitamos as condições dessas mudanças atuais”, comenta José Carlos.

Denise Romano, coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), também comemorou a ideia de suspensão e classificou o Novo Ensino Médio como uma “tragédia”. “O Novo Ensino Médio é uma tragédia para a juventude brasileira, para a política educacional e o resultado também será trágico”, diz. “Nós sabemos que, com o Enem nesse formato, nessas disciplinas, nesses percursos e itinerários formativos do Novo Ensino Médio, nossos alunos da escola pública ficarão prejudicados, porque é um esvaziamento de conteúdo”, avalia.

A reportagem de O Tempo procurou o MEC para dar detalhes dessa suspensão e aguarda retorno.

Movimento estudantil quer revogação total

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) consideraram a notícia uma vitória para o movimento estudantil. “Frear a implementação do Novo Ensino Médio é um passo importante para os estudantes e professores que estão sofrendo os impactos de uma medida aprovada sem o amplo debate e o aperfeiçoamento de quem vive a escola diariamente”, disse a UBES em nota.

O grupo defende a revogação do NEM e informou que vai enviar ao MEC uma nota técnica com recomendações para o ensino médio. Está prevista ainda uma mobilização em todo o Brasil, no dia 19 de abril, pela revogação total.

Para a UNE, a aprovação do NEM “foi feita de forma atropelada”. “Esperamos que aconteça, sim, uma reforma no ensino médio, mas que seja debatida amplamente com todo o setor educacional e acompanhada de investimentos em tecnologia e estrutura”, disse em nota.

Famosos e políticos reagiram de formas distintas

Um dos comentários de maior repercussão sobre a notícia da suspensão foi do apresentador Luciano Huck. Ele foi uma das poucas personalidades a defender o Novo Ensino Médio nas redes sociais. Uma postagem no Twitter viralizou após ele dizer que a reforma deveria estar acima das “diferenças ideológicas”. “Mesmo c/ difícil implementação, não faz sentido retroceder à estaca zero. O esforço p/ oferecer uma escola mais atrativa p/ os alunos e conectada c/ as suas expectativas de vida e carreira deve ser permanente”, publicou.

O Novo Ensino Médio deveria estar acima de diferenças ideológicas. Mesmo c/ difícil implementação, não faz sentido retroceder à estaca zero. O esforço p/ oferecer uma escola mais atrativa p/ os alunos e conectada c/ as suas expectativas de vida e carreira deve ser permanente.

— Luciano Huck (@LucianoHuck)
April 3, 2023

Já a deputada federal Duda Salabert (PDT) comemorou a notícia da suspensão. “O novo ensino médio, conforme denunciamos anos atrás , iria aprofundar os problemas educacionais brasileiros.  Parabéns ao Governo por ouvir a comunidade escolar e suspender a implementação da reforma do ensino médio, proposta e sancionada em 2017”, disse. 

O novo ensino médio, conforme denunciamos anos atrás , iria aprofundar os problemas educacionais brasileiros.

Parabéns ao Governo por ouvir a comunidade escolar e suspender a implementação da reforma do ensino médio, proposta e sancionada em 2017.

Uma portaria a respeito…

— Duda Salabert (@DudaSalabert)
April 3, 2023

A deputada do PSOL, Sâmia Bonfim também apoiou a suspensão. “Após forte movimento de estudantes e professores, surgem notícias de que o MEC pretende interromper o calendário de implementação do Novo Ensino Médio. Nós, do PSOL, apresentamos projeto nesse sentido. Agora é intensificar a pressão não só pela interrupção, mas revogação do NEM!”, publicou.

Após forte movimento de estudantes e professores, surgem notícias de que o MEC pretende interromper o calendário de implementação do Novo Ensino Médio. Nós, do PSOL, apresentamos projeto nesse sentido. Agora é intensificar a pressão não só pela interrupção, mas revogação do NEM!

— Sâmia Bomfim (@samiabomfim)
April 3, 2023

 

O que são itinerários formativos

Segundo site do MEC, os itinerários formativos são o conjunto de disciplinas, projetos, oficinas, núcleos de estudo, entre outras situações de trabalho, que os estudantes poderão escolher no ensino médio.

Eles podem se aprofundar nos conhecimentos de uma área do conhecimento (Matemáticas e suas Tecnologias, Linguagens e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas) e da formação técnica e profissional (FTP) ou mesmo nos conhecimentos de duas ou mais áreas e da FTP. 

Ainda segundo o MEC, as redes de ensino terão autonomia para definir quais os itinerários formativos irão ofertar, considerando um processo que envolva a participação de toda a comunidade escolar.

Fonte: O tempo

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