A morte de uma professora de 71 anos em São Paulo, após ser esfaqueada por um aluno, de 13, enquanto dava aulas, chocou o país na manhã desta segunda-feira (27). Entre os motivos que levaram o jovem a cometer o ataque estaria o bullying sofrido e uma briga recente com um colega. Para a mestre em Educação e pró-reitora de pós-graduação, pesquisa e extensão da Estácio BH, Mariana Cavaca, tragédias como essa refletem uma cultura de violência da própria sociedade.
“A gente está inserido numa sociedade de cultura violenta. ‘Ah, eu preciso bater, eu fui criado assim, eu apanhei e tô aqui’. Mas é isso, a gente muitas vezes naturalizou a violência e sabe que um dos espaços que vai refletir essa cultura vai ser a escola”, disse durante entrevista para o Super N 2ª Edição, na Rádio Super 91,7 FM. Veja entrevista completa aqui.
Para Mariana, isso explica o porquê de medidas de segurança não serem suficientes para resolver o problema de ataques como o de hoje. “Se só segurança resolvesse, a gente não tinha violência doméstica”, compara. “Enquanto a gente estiver só estancando o sangue, a gente não vai resolver o motivo da hemorragia.”
A especialista lembrou que a educação sobre a violência não se limita à escola ou à família e que deve ser um dever da sociedade e ser pensada em todas as instâncias (governo, religião, comunicação). No atentado de hoje, um dos motivos apontados como provável para que o aluno atacasse professores e colegas seria o bullying. Mariana lembra que o bullying parte principalmente do preconceito. “A origem do bullying é no preconceito, como superar o preconceito sem podermos falar de temáticas fortíssimas que favorecem isso?”
“A educação está para além dos muros da escola. Muitos orgãos criticam, por exemplo, a discussão sobre gênero e sexualidade na escola. Como trabalhar a questão da homofobia sem discutir esse assunto? Falar de feminicídio sem discutir questões de gênero. O próprio racismo, como resolver essas questões sem trabalhar cultura africana?”, questiona.
Mariana lembrou ainda da importância de cuidar da saúde mental dos professores e investir em autoconhecimento para os alunos. Ela faz ainda um convite aos meios de comunicação para ajudar na distribuição de informações e favoreceer a compreensão mais profunda sobre esses assuntos. “Precisamos superar a cultura da violência para nossas vidas”, conclui.
Fonte: O tempo









































