O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) propôs à nova equipe do Ministério das Relações Exteriores um reforço no combate à venda de ouro com origens no garimpo ilegal a outros países. Em reunião com o ministro Mauro Vieira, o setor mineral apresentou também propostas de ações em prol da conservação da Amazônia.
Em nota enviada à imprensa, o Ibram afirmou que a atuação do Itamaraty junto a países compradores de ouro brasileiro, como a Suíça, pode auxiliar para reduzir ocorrências de garimpo ilegal. Ao ministro, o Ibram pediu que a pasta atue junto aos governos de outros países por meio das embaixadas brasileiras para aprimorar instrumentos que controlam a origem do ouro brasileiro.
“A comercialização de ouro ilegal alimenta uma aliança do crime no Brasil, que é responsável por parte da devastação que vemos na Amazônia, algo que o mundo está observando. Um dos países que mais compram ouro do Brasil é a Suíça. Recentemente, estive em Genebra para debater esta questão do comércio e sobre a adoção da certificação das importações do minério, com rastreamento da origem”, disse o diretor-presidente do Ibram, Raul Jungmann.
No encontro com o minsitro, o Ibram afirmou que já conta com parceria de outros órgãos de governo e da sociedade civil para efetivar planos de ação contra o garimpo ilegal e a comercialização do ouro. A lista de parceiros, segundo o instituto, conta com o Banco Central, Polícia Federal, Receita Federal, Ministério de Minas e Energia, Comissão de Valores Mobiliários, Instituto Escolhas, Instituto Socioambiental.
Um relatório da ONG Hutukara Associação Yanomami (HAY), publicado em 2022, mostrou que a extração ilegal de ouro alcançou um nível recorde em 2021 na reserva indígena yanomami, a maior do Brasil.
A área marcada como garimpo na reserva yanomami na floresta amazônica aumentou 46% em 2021, para 3.272 hectares, o maior aumento anual desde que o monitoramento começou em 2018, segundo o documento da ONG.
Amazônia
Outra pauta do encontro foi a Conferência Internacional Amazônia & Bioeconomia, que o Ibram vai organizar em Belém (PA), em agosto. O evento pretende ser um fórum para a formulação de propostas viáveis de desenvolvimento sustentável de longo prazo para a região amazônica, com base na expansão da bioeconomia.
“Seria uma estratégia de sinalizar para o Brasil e o mundo que ações concretas estão sendo conduzidas para recuperar esse importante bioma e traçar um futuro calcado em boas práticas de sustentabilidade”, disse Jungmann. A conferência internacional pretende atrair a participação de especialistas, além de representantes dos governos de vários países.
Os dirigentes do Ibram solicitaram ao ministro apoio do Itamaraty para:
- mobilizar atores internacionais para o evento;
- agendar reunião com a representação da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), de modo a atrair a participação dos países da Bacia Amazônica à conferência;
- apoiar, por meio da rede de Embaixadas e Consulados brasileiros no exterior a promoção do evento, que ocorrerá em paralelo ao maior e mais tradicional evento da mineração da América Latina, a Exposibram.
Outros assuntos abordados foram a promoção da indústria da mineração brasileira em mercados estratégicos com o objetivo de atrair recursos para financiamento de projetos e investimentos no segmento, e também a prospecção de oportunidades para a mineração brasileira em outros países.
Fonte: O tempo









































