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    Rondônia, quinta, 23 de abril de 2026.

Nacional

Saúde suplementar amarga R$ 34 bilhões em fraudes e desperdícios, diz estudo

Ao menos 12,7% das receitas da saúde suplementar no Brasil foram impactadas por fraudes e desperdícios em 2022. Isso representa um impacto entre R$ 30 bilhões e R$ 34 bilhões. O dado é de um levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), divulgado nesta semana, que mostra um raio-x do setor.

O estudo aponta, por exemplo, que muitas perdas estão em gastos com itens indevidos nas contas hospitalares e exames laboratoriais desnecessários. A estimativa mostra que entre 12% e 18% das contas hospitalares apresentam itens indevidos e 25% a 40% dos exames laboratoriais não são necessários. Isso significa um gasto na saúde de aproximadamente R$ 15 bilhões com fraudes em contas hospitalares e R$ 12 bilhões em pedidos de exames laboratoriais não necessários.

De acordo com o IESS, atualmente, a saúde suplementar tem 50,4 milhões de beneficiários na rede (26% da população brasileira) atendidos por 679 operadoras ativas. Essas operadoras estão distribuídas em 5 modalidades, responsáveis por uma receita de R$ 234 bilhões em 2022 e de R$ 66 bilhões no 1º trimestre de 2023. O setor é concentrado em planos coletivos, com 82% dos beneficiários, principalmente através dos coletivos empresariais.

Conforme o instituto, apesar de ser um país com uma das maiores ofertas de serviços odontológicos e dentistas (mais de 380 mil profissionais), apenas 16% dos brasileiros possuem plano odontológico, sendo que a maioria o faz por meio do pacote de benefícios do empregador (planos coletivos ou corporativos).

Confira outros dados do estudo:

Desperdício

O IESS também enumera os tipos de desperdício que mais impactam as receitas das clínicas e hospitais. Segundo o instituto, os desperdícios são mais comuns em quatro linhas principais de despesas: consultas (15%), exames (15%), terapias (12%), internações (12%).

Alguns tipos desperdícios citados no estudo são:

  • Desperdício Operacional: quando o atendimento poderia ser oferecido usando menos recursos dentro do sistema, mantendo os benefícios.
  • Cuidados médicos desnecessários: casos em que os pacientes não recebem o atendimento correto
  • Falhas: além da equipe de saúde, os profissionais da logística, dos almoxarifados e de compras estão sujeitos a falhas que culminam em desperdício de materiais.
  • Falta de coordenação: quando a assistência é muito fragmentada, pode se perder o foco no paciente, levando a falta de direcionamento no cuidado  

Outros exemplos:

  • Postergar a alta do paciente para aumentar a permanência hospitalar e garantir a ocupação do leito
  • Indicar tratamentos mais caros quando outros mais baratos entregam o mesmo resultado assistencial
  • Solicitar exames desnecessários, como os de tomografia e ressonância magnética, em que o Brasil aparece nas estatísticas como um dos que mais utilizam no mundo (na saúde suplementar)
  • Solicitar mais códigos de procedimentos que o necessário para realização de uma cirurgia

Fraudes

O estudo ainda desmembra os tipos de fraudes que impactam o setor e aponta quem são os agentes:

  • fraudes cometidas por beneficiários (ocultação de condição pré-existente, falsificação de informações/documentos, empréstimo da carteirinha para não-beneficiário, fornecimento de dados de acesso para terceiros, reembolso duplicado)
  • fraudes cometidas por prestadores (reembolso sem desembolso, atendimento falso, falsificação de laudos de exames, superutilização, adulteração de procedimento, entre outros)
  • fraudes cometidas por outros agentes do setor (falso coletivo, prestador fantasma, falso médico ou dentista, boleto falso, adulteração de cadastro de beneficiário, entre outros)

Fonte: O tempo

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