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    Rondônia, sábado, 10 de janeiro de 2026.

Nacional

Café, frutas e mais: Brasil é o maior beneficiário do acordo UE-Mercosul

Foto: Money Report

Foto: Money Report

 

 

Acordo UE-Mercosul: o que está em jogo para o agro brasileiro, países da União Europeia deram aval provisório nesta sexta-feira (9) ao acordo de livre comércio com o bloco que reúne Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Os países da União Europeia deram aval nesta sexta-feira (9) ao acordo de livre comércio com o Mercosul, bloco que reúne Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

O próximo passo é a assinatura pelo dois blocos, o que deve acontecer no próximo dia 17, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina. Para valer, o tratado ainda terá que ser aprovado nos congressos dos países sul-americanos.

O acordo não envolve só o agro, mas este foi o ponto mais sensível ao longo das décadas de negociação do livre comércio.

Uma parte ruidosa dos produtores europeus protagonizou diversos protestos, alegando que seria prejudicada com a entrada de produtos sul-americanos mais competitivos.

O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, deve ser um grande beneficiário do acordo. O bloco europeu já é o segundo maior cliente do agro brasileiro, atrás da China e à frente dos Estados Unidos.

O acordo assume um peso ainda mais estratégico para o Brasil depois que as vendas do agro para os EUA despencaram em 2025, diante do tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump.

A sobretaxa acabou sendo retirada em novembro — mas quase metade das exportações do agro brasileiro ainda está submetida a ela.

Além disso, recentemente, China e México, outros grandes compradores do Brasil, adotaram limitações para as importações de carne.

Veja nesta reportagem o potencial do acordo para: carnes, café, soja e como as proteções aprovadas pela UE para o agro europeu incomodaram os produtores brasileiros.

Com isso, o setor poderá aumentar as vendas de diversos itens, como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais, que terão taxas de importação gradualmente zeradas na Europa.

Confira os principais clientes do agro brasileiro — Foto: Arte g1

Confira os principais clientes do agro brasileiro — Foto: Arte g1

As tarifas serão reduzidas em prazos que podem variar de 4 a 10 anos, a depender do produto.

Itens como as carnes bovina e de frango terão cotas de exportação. São alimentos considerados “sensíveis” pelos europeus, pois competem diretamente com a produção local.

Veja quanto dos principais produtos vendidos pelo agro brasileiro vai para a União Europeia — Foto: Arte g1

Para destravar a negociação, além de aprovar as salvaguardas para proteger o agro europeu, a UE prometeu reduzir tarifas de fertilizantes, o que reduziria custos de produção.

Com o livre comércio com o Mercosul, a UE poderá aumentar exportações de carros, máquinas e produtos químicos, além de itens agrícolas, como queijos e vinhos, para o Mercosul. E também reduzir a dependência da China na área de minerais.

Acordo que se arrasta desde os anos 90

O acordo de livre comércio UE-Mercosul não vale apenas para produtos agrícolas, mas este setor tem protagonizado boa parte dos embates.

As discussões começaram em 1999 e foram paralisadas depois de um acordo inicial alcançado em 2019. As conversas só foram retomadas em 2024, a pedido da Comissão Europeia.

O acordo foi, então, anunciado no fim de 2024, o que encerrou o período de negociações e inaugurou o de aprovações pelos países.

“É um acordo que envolve praticamente 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). É uma coisa extremamente importante, possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo”, disse o presidente Lula, em novembro, durante o G20 – grupos das maiores economias do mundo.

Por Paula Salati, Vivian Souza, Luciana de Oliveira

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