Saudando Narges Mohammadi como uma “combatente pela liberdade”, a chefe do comitê norueguês do Nobel começou o discurso dizendo, em Farsi, as palavras “mulher, vida, liberdade” – um dos slogans dos protestos contra o governo iraniano.
No ano passado, durante vários meses, o tema mobilizou milhares de manifestantes no Irã depois da morte da jovem curda Mahsa Amini, que foi presa por usar o véu islâmico de forma incorreta e morreu espancada enquanto estava sob custódia policial.
Narges Mohammadi é uma das maiores ativistas de direitos humanos do país. Aos 51 anos, ela luta há 30 pelos direitos das mulheres e pela abolição da pena de morte.
A ativista está numa prisão na capital Teerã cumprindo várias penas que totalizam 12 anos. Ela é acusada, entre outros crimes, de difusão de propaganda contra o estado.
Mas esse é apenas um dos períodos em que Narges esteve atrás das grades. O regime do Irã já prendeu a ativista 13 vezes. Ela foi condenada 5 vezes e sentenciada a 31 anos de prisão e 154 chicotadas.
Mesmo presa, Narges é vice-diretora do centro de defensores dos direitos humanos, uma organização não governamental liderada pela também iraniana Shirin Ebadí, ganhadora do prêmio Nobel da paz em 2003.
Exilada em Londres desde 2009, Ebadí disse esperar que o Nobel envie uma mensagem às mulheres do Irã e chame a atenção internacional para os abusos dos direitos humanos no país.
O marido de Narges, Taghi Rahmani, acompanhou, de casa, o anúncio do Nobel. Ele disse que o prêmio abrirá portas à luta de Narges pelos direitos humanos, irá torná-la destemida.
A porta voz do alto comissariado das nações unidas para os direitos humanos, Liz Throssell, também falou sobre a escolha de Narges para o prêmio. Para ela, é algo que realmente destaca a coragem e a determinação das mulheres do Irã e como elas são uma inspiração para o mundo.
Pelas redes sociais, vários líderes mundiais prestaram homenagens a Narges Mohammadi. A presidente da comissão europeia, Ursula Von der Leyen, disse que a vitória reconhece a luta corajosa e nobre das mulheres iranianas que desafiam a opressão por sua conta e risco.
Mohammadi é a 19ª mulher a ganhar o Nobel da paz, que já foi dado a 92 homens. O prêmio no valor de 11 milhões de coroas suecas, o equivalente a mais de R$ 5 milhões, será entregue em Oslo, no dia 10 de dezembro.
Direitos Humanos Brasília 06/10/2023 – 20:31 Jacson Segundo / Beatriz Albuquerque Patricia Maia – repórter da Rádio Nacional prêmio Nobel da paz sexta-feira, 6 Outubro, 2023 – 20:31 173:00
Fonte: Ag. Brasil







































